W A T E R  M E
17.04.2015

 



11.15 a.m. Madrid.
Acabei de perder um avião. Um voo com partida às 9.55 e algum dinheiro gasto em vão (ou não). Um voo comprado com uma semana de antecedência para Lisboa com um inicial objectivo de me encontrar com um rapaz por quem, na minha inconsciência e perfeita ceguez, me deixei perder. Que à ultima da hora fez com que eu entrasse num completo pânico e ficou apenas o objectivo de ser uma viagem de passeio e visitar os amigos. Já que gastei dinheiro, que seja pelo menos bem gasto. Mas ainda assim acabei mesmo de perder o voo.
Ok, isto quer dizer que estou completamente louca e prestes a perder todo o pouco juízo que me resta.
Acabei de perder um avião, tudo por cansaço acumulado.
Noites mal dormidas, demasiadas preocupações, demasiadas dúvidas de mim própria, demasiados porquês, falta de vontade, falta de motivação, amores, desamores, vontade de desaparecer.
Acabei de perder um avião porque não ouvi o despertador e isso quer dizer que por muito grande fosse a minha vontade, o meu estado emocional, este desgosto, este esgotamento foram mais forte que todos os motivos válidos e inválidos de perder um voo.
Acabei de perder um avião e isso fez-me perceber que na verdade há males que vêm por bem e há bens que vêm por mal e talvez se isso não tivesse acontecido, não estaria aqui a escrever toda a minha angústia que me fez abandonar algo que outrora era um dos meus pilares para os meus dias fazerem sentido. O blog.
Senti uma enorme vontade de deitar isto cá para fora. Muita coisa mudou durante este espaço de tempo, mas não mudou todo o carinho que tenho por este blog e eis aqui a prova.
E agora como uma das muitas tatuagens que carrego neste corpo, para que tudo fique bem cicatrizado e bonito, terá que ser pouco a pouco e com muita paciência. Terei sempre vontade de mais.
 
Obrigada, se ainda estão aí desse lado, por me ouvirem.
Até já
 
Peggy Baklajan